O impacto do consumo de café na saúde da mulher
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| Foto: Dilvugação |
Karoline Albini Schast
A relação entre o consumo moderado de café e a saúde tem
sido tema de diversas investigações científicas. Um estudo robusto da
Universidade de Harvard, baseado nos dados do Nurses’ Health Study,
acompanhou mais de 47 mil mulheres por três décadas e revelou que o consumo
diário de 1 a 3 xícaras de café com cafeína na meia-idade esteve associado a
maior chance de envelhecimento saudável — definido como a ausência de doenças
crônicas, boa saúde cognitiva, função física preservada e bem-estar mental.
Os benefícios observados parecem estar relacionados à
combinação de compostos bioativos presentes no café, como os polifenóis e a
cafeína, que exercem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, contribuindo
para a proteção cardiovascular, modulação da sensibilidade à insulina e
neuroproteção. No entanto, é importante ressaltar que tais efeitos foram
exclusivos do café com cafeína — não sendo replicados em bebidas descafeinadas
ou em outras fontes de cafeína, como chás e refrigerantes.
A escolha por mulheres na pesquisa se deve ao delineamento
do estudo original, mas levanta discussões relevantes sobre o papel da cafeína
na saúde feminina. Durante a meia-idade, especialmente na transição para a menopausa,
há um aumento do estresse oxidativo e da inflamação sistêmica, associados a
alterações hormonais que elevam o risco de doenças crônicas. Assim, o café pode
atuar como fator protetor adicional nesse contexto, desde que consumido com
moderação.
Apesar dos possíveis benefícios, é essencial compreender a
farmacocinética da cafeína. Sua meia-vida no organismo varia entre 4 e 6 horas
em adultos, podendo ser prolongada em gestantes ou em mulheres que utilizam
anticoncepcionais orais, devido à modificação do metabolismo hepático. Por
isso, recomenda-se evitar o consumo de café pelo menos 6 horas antes do horário
habitual de sono, a fim de preservar o ritmo circadiano e a qualidade do sono —
fatores que impactam diretamente a saúde metabólica, imunológica e hormonal.
Além disso, o consumo excessivo de cafeína (acima de 400
mg/dia, ou cerca de 4 a 5 xícaras pequenas de café) pode estar associado a
efeitos adversos, como ansiedade, taquicardia, insônia, alterações
gastrointestinais e interferência na absorção de micronutrientes. Em mulheres
com predisposição a transtornos ansiosos ou condições como a síndrome dos
ovários policísticos (SOP), o excesso de cafeína pode ser contraproducente,
contribuindo para a piora de sintomas hormonais e neurocomportamentais.
O café, portanto, pode ser um aliado à saúde da mulher,
sobretudo quando inserido em um padrão alimentar equilibrado, livre de açúcares
adicionados e respeitando os limites individuais de tolerância. Como hábito
cultural enraizado — especialmente no Brasil, maior produtor mundial da bebida
—, o café ganha ainda mais relevância ao se mostrar, também, uma ferramenta de
promoção de saúde e longevidade.

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