Depois da Guerra
| Depois da Guerra. Foto: Thiago Sabino e Daniel Sabino |
Monólogo narra, de forma cativante, a
trajetória de uma mulher em busca de liberdade
De autoria do pesquisador, escritor e dramaturgo Maurício Melo
Júnior, Depois da Guerra traz uma reflexão sobre a vida da
baiana e heroína de guerra Maria Quitéria. Interpretado pela
atriz Liduína Bartholo, o texto conduz o espectador através das
memórias desta mulher, que, em 1822 disfarçada de soldado Medeiros, foi à luta
pela Independência do Brasil no seu estado de origem. A última fronteira ainda
sob comando dos portugueses.
Mesmo filha de um rico fazendeiro, Quitéria morreu pobre, depois de ser
deserdada por ter se casado com um lavrador, segundo relatos de historiadores.
Seus últimos anos de vida foram em um pequeno casebre, retratado no espetáculo
e que serve de cenário para contar sua história.
Para este espaço, Liduína e Eli Moura, diretora cênica,
ergueram a peça em um processo colaborativo uníssono ainda no início da
pandemia de Covid-19. Enquanto Eli trabalhava a encenação e movimento de cena,
Lidu “entregava as emoções no ponto ideal, a partir do entendimento da psique
da personagem, o que fez com o que os movimentos de cena viessem de forma muito
fluida”, acentua Eli.
A construção da narrativa atravessa três momentos de Maria Quitéria, ela
ainda na sua fase mais jovem, depois adulta, em posse de si mesma e quando vai
à guerra, e o terceiro como viúva, velha e no fim da vida. Na leitura da
diretora cênica, estes arquétipos de passagem de tempo podem ser observados
como, “a donzela, a mãe e a anciã, ou o amanhecer, o entardecer e o anoitecer,
ou ainda a jovem, a mulher e a velha”, detalha.
A redação do texto para espetáculo foi uma encomenda Liduína a Maurício,
e partiu de seu desejo em retornar aos palcos. “Ela me pediu a história de uma
mulher forte e de imediato lembrei de Maria Quitéria, que volta para uma vida
pacata depois de lutas”, recorda o autor, que revela ter sido desafiador “fazer
um balanço da vida heroica de uma mulher no século XVIII”.
De acordo com Liduína, trilhar o caminho humano de uma personagem em
cima de um texto literalmente complexo, “foi igualmente desafiador, ainda mais
ao precisar refletir as emoções de uma pessoa muito forte relegada à vida
doméstica, já no final de sua vida”, assume a atriz.
Erguido em meio ao confinamento imposto pela pandemia de Covid-19, o
espetáculo foi concebido para sessões on-line, com transmissão gratuita
em canal no YouTube.
Neste espaço virtual, visitantes poderão assistir ao espetáculo, com ou sem legenda,
conferir um bate-papo entre os e as criadores/as, com tradução simultânea para
Libras, bem como depoimentos individuais das/os
envolvidas/os na produção da obra. A trilha sonora original
também está disponível.
O cenário, projetado por Laíse Frazão, traz uma visão
minimalista do quarto de Quitéria. E os elementos de cena se fundem a projeções
em vídeo mapping, criadas por Thiago Sabino e Daniel
Sabino, também responsáveis pela filmagem do espetáculo. Já a iluminação,
por Manu Queiróz, emoldura os sentimentos da personagem.
Acentuando as emoções retratadas pela atriz em cena, a trilha sonora
original, composta pelo multi-instrumentista Felipe Barão, é um
elemento que se mescla ao texto. O espetáculo também é conta com inserções de
texto em off, promovendo uma dinâmica especial.
Ao longo dos cerca de 40 minutos de duração desta peça em audiovisual,
“o destaque da obra está na união entre ficção e passado histórico e presente,
tecnologia e sociedade, e que utiliza das artes visuais como aliada”,
ressalta Tuka Villa-Lobos, diretora artística do projeto.
Dada à presença de fatos históricos, a montagem, segundo Tuka, “tem
enorme valor educacional e de cidadania, pois leva ao público a oportunidade de
conhecer parte da nossa história, através de uma personagem que lutava por sua
independência e identidade e, ao mesmo tempo, traz à tona assuntos
contemporâneos como o empoderamento feminino”, destaca.
Em razão disso, “iremos buscar escolas, que se interessem em exibir o espetáculo e depois convidar este público escolar para uma bate-papo com integrantes da produção”, conclui a diretor artística.
Serviço:
Depois da Guerra, Maria Quitéria
Transmissão: YouTube em bit.ly/Espetaculo-DepoisdaGuerra
Dias e horários: A partir de 3 de março de 2022, em qualquer
horário
Duração: 41 minutos
Classificação indicativa: Não
recomendado para menores de 12 anos
Ingressos: acesso gratuito
Mais informações: instagram.com/depois.da.guerra ou
facebook.com/depoisdaguerra.arte
O projeto foi realizado com recursos do FAC - Fundo de Apoio à
Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal
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