Protocolo de Intervenções Cênicas em Espaço Urbano
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| Foto: Gaia Schüler |
Quando a
cidade desacelera: intervenções cênicas convidam ao encontro e ao cuidado no
espaço urbano
O artista Robson Castro propõe
uma pausa. Em meio ao fluxo acelerado da capital federal, três performances
mínimas e sensíveis surgem como respiros poéticos, convidando quem passa a
compartilhar um instante de presença, escuta e afeto. O projeto "Protocolo
de Intervenções Cênicas em Espaço Urbano" não se anuncia como espetáculo,
mas como acontecimento discreto, quase confidencial, que se constrói no contato
direto entre artista, cidade e transeunte.
As ações, que ocorrem entre os
dias 5 e 7 de fevereiro de 2026, em diferentes pontos do Distrito Federal,
integram um mesmo gesto poético: investigar como um ato simples pode criar
brechas de intimidade e deslocamento afetivo no cenário público. Cada
performance possui um protocolo próprio, um convite singular para reorganizar o
tempo e ressignificar o comum.
Em resumo: as performances não
propõem revoluções visíveis, mas sementes de transformação interior e
relacional. Elas apostam que um cuidado mínimo, um encontro breve e uma
pergunta delicada podem reorganizar subjetivamente o tempo, o espaço e a
relação com o outro na cidade. Quem participa leva consigo não um espetáculo,
mas uma experiência de alteridade e presença que pode ressoar como um novo modo
de habitar o comum — mais lento, mais atento, mais afetivo.
Breves partilhas do simples
agora
5 de fevereiro, 11h –
Plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto
Em um dos pontos de maior movimento e passagem da cidade, o artista se senta em
um banco, com outro banco vazio à sua frente. A performance já acontece com
essa imagem e ganha nova dimensão quando alguém aceita o convite tácito de
sentar-se. Não há roteiro, apenas a disponibilidade para compartilhar aquele
espaço e aquele tempo. O que surge pode ser um silêncio compartilhado ou uma
conversa orgânica, um instante de pausa no meio do turbilhão urbano, celebrando
o simples fato de estar ali, presente.
Delicado arquivo de pequenos
futuros
6 de fevereiro, 11h –
Estacionamento público em frente ao Supermercado Veneza (Quadra 811, Cruzeiro
Novo)
Em um espaço cotidiano de tarefas práticas, o artista se aproxima com uma
pergunta delicada: “Qual pequeno futuro você deseja para amanhã?”. A ação
transforma-se num arquivo vivo e afetivo de expectativas, sonhos mínimos e
projeções, algumas íntimas, outras mais gerais. É um gesto de escuta que valida
o desejo do outro, guardando-o momentaneamente na memória do encontro,
construindo um futuro possível a partir do diálogo.
Micro manual de cuidados
mínimos
7 de fevereiro, 11h – Feira
Permanente do Cruzeiro
No ambiente vibrante da feira, o artista oferece cartões com instruções
simples: respirar, parar um minuto, olhar ao redor. Mais do que entregar um
objeto, a performance propõe um ritual de atenção. Ao convidar a pessoa a
realizar um ato de cuidado ali mesmo, e ao abrir espaço para uma conversa a
partir desse gesto, a ação semeia uma pausa consciente, um reconhecimento do
próprio corpo e do entorno.
Além das ações presenciais, o
projeto se desdobra em videoperformances acessíveis (com
audiodescrição e legendas), disponíveis gratuitamente no canal do YouTube do
artista, e um encontro online com intérprete de Libras no dia
10/02, às 19h, para debate sobre o processo criativo. Haverá ainda exibições
das videoperformances e conversa com estudantes em três escolas públicas do DF.
Paralelamente, uma campanha
de arrecadação solidária apoia o Instituto Barba na Rua, que atua com
pessoas em situação de rua, tecendo uma rede de cuidado que ultrapassa os
limites da arte. Apoio ao Instituto Barba na Rua: PIX 40729003000185
O projeto, realizado com recursos
do Fundo de Apoio à Cultura do DF, reforça a arte como prática de encontro,
escuta e reparação no tecido da cidade.
Mais informações:
Instagram do artista: https://www.instagram.com/
Canal das videoperformances: https://www.youtube.com/@
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