Verão intensifica sintomas de varizes e doenças venosas exigindo atenção com a saúde vascular
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| Foto: Divulgação |
Com a elevação das temperaturas,
sintomas como inchaço, dor e sensação de peso tendem a se intensificar durante
o verão. A angiologista e cirurgiã vascular Ilana Barros alerta que esses
sinais podem indicar doenças venosas e não devem ser tratados como algo normal
da estação.
Diferente de outros períodos do ano, o verão costuma evidenciar problemas
venosos que antes passavam despercebidos. O calor provoca a dilatação dos vasos
sanguíneos, dificultando o retorno do sangue das extremidades para o coração e
contribuindo para o agravamento das varizes e da insuficiência venosa crônica,
condições que afetam milhões de brasileiros.
Com isso, manifestações como inchaço ao longo do dia, dor, sensação de peso,
queimação e cansaço tornam-se mais frequentes, especialmente no fim da tarde e
à noite. Em muitos casos, esses sintomas são atribuídos apenas ao calor, o que
pode atrasar a busca por avaliação especializada. Mas quando o desconforto
deixa de ser algo pontual do verão e passa a indicar um problema de saúde vascular?
“O verão funciona como um período de maior sobrecarga para o sistema venoso.
Quando há doença venosa instalada, o calor intensifica os sintomas e torna o
desconforto mais evidente”, explica Ilana Barros.
As varizes estão entre as doenças venosas mais comuns na população adulta.
Estudos amplamente utilizados na prática clínica indicam que entre 30% e 40%
das pessoas apresentam algum grau de insuficiência venosa, índice considerado
elevado do ponto de vista de saúde pública. No Brasil, o impacto dessas doenças
é acompanhado por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Angiologia e
de Cirurgia Vascular (SBACV), que classifica a insuficiência venosa crônica
como uma condição de alta prevalência e alerta para a piora dos sintomas em
períodos de calor intenso.
Além da alta prevalência, especialistas observam que o verão concentra aumento
na procura por atendimento vascular, especialmente por queixas relacionadas a
inchaço, dor e piora das varizes. Esse crescimento sazonal da demanda reforça
que os sintomas não devem ser banalizados e que a avaliação médica precoce é
fundamental para evitar a progressão da doença.
Além do calor, hábitos comuns da estação contribuem para a piora do quadro
venoso, como longos períodos em pé, redução da atividade física regular, uso de
roupas mais ajustadas e menor ingestão de líquidos. Esses fatores dificultam a
circulação e favorecem o avanço das varizes.
“Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dor ou o inchaço se tornam intensos,
mas sinais persistentes indicam que a saúde vascular precisa ser avaliada com
atenção”, destaca a especialista.
Pessoas com histórico familiar de varizes, gestantes, pacientes com obesidade,
usuários de hormônios e profissionais que permanecem muitas horas em pé ou
sentados apresentam risco maior de agravamento durante os meses mais quentes e
devem ter acompanhamento adequado.
As diretrizes médicas reforçam que o diagnóstico envolve avaliação clínica
associada ao ultrassom doppler, exame essencial para identificar alterações no
fluxo venoso e definir a conduta mais indicada para cada caso. O acompanhamento
precoce ajuda a evitar complicações como inflamações, alterações na pele e, em
estágios avançados, feridas venosas.
Medidas simples podem aliviar os sintomas no dia a dia. Manter boa hidratação,
evitar longos períodos na mesma posição, elevar as extremidades ao final do dia
e praticar atividades físicas leves contribuem para melhorar o retorno venoso e
reduzir o desconforto.
“O verão não precisa ser sinônimo de dor ou limitação para quem convive com
varizes. Com diagnóstico correto e cuidados adequados, é possível controlar os
sintomas e preservar a saúde vascular”, conclui Ilana Barros.
Para saber mais, acesse o Instagram:
@drailanabarros

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