La Sacuelita
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| Foto: Lana Guimarães |
Onde a autenticidade das roupas,
acessórios, objetos de casa, decoração e arte têm significado e muita história
para contar
Com o desacelerar da vida durante a pandemia, o olhar sobre o consumo,
para muitos, foi transformado. O que antes era urgente, agora pode esperar um
pouco. Um tanto do que antes era necessário, agora pode ficar meio de lado. Com
isso, houve uma guinada ao sustentável em respeito ao próximo, ao meio ambiente
e por momentos mais tranquilos. Uma prática que também ganhou força, foi o
desapego.
Conceitos que vão de encontro com o ideal que deram vida à La
Sacuelita dois anos atrás. E fez com que Lana Guimarães e Mariana
Dap criassem uma loja onde, hoje, quem visita tem uma experiência
enriquecida de cores, texturas e memórias afetivas.
Resultado de uma seleção feita com muito cuidado, a La Sacuelita expõe,
em seu acervo, peças raras e únicas. No vestiário e acessórios, um desfile de
possibilidades que resultam em modelitos moderninhos,
clássicos ou vintage. Para o
lar, objetos decorativos e artísticos podem dar um toque especial e atraente a
qualquer cantinho da casa.
O acervo está sempre em transformação e se dá, também, por meio da
participação de clientes, amigas e amigos. Pessoas que encontram na La
Sacuelita o merecido carinho e valorização às peças que desejam se desapegar.
Essa troca tem início no meio virtual, “la persona faz
contato por el telefonito 97401.2626 e diz que quer passar
pela seleção, daí enviamos a listinha com o passo a passo e todas as informações.
Estando de acordo, ela envia fotos [das peças] para a curadoria. Depois é só
combinar a entrega de tudo bem limpinho e cheirosinho”, detalha Lana.
Dá-se preferência às peças em perfeito estado, mas, às vezes, pequenas
avarias, que não interferem no desempenho, são permitidas. “Roupas, calçados e
objetos são matéria e algum desgaste não só é inevitável, como faz parte da sua
história. E isso também é sobre reuso e sustentabilidade.”, sugere.
O movimento de troca, venda ou doação de coisas usadas e em bom estado,
é possível arriscar, que venha de uma cultura familiar, quando o mais novo
“herda” do mais velho, ou de vizinhança, quando aquilo que não te serve mais é
passado para quem mora ao lado. Evitando assim o descarte e ampliando a
cooperação.
Para Lana, “isso passa pelas questões socioambientais, uma vez que a roupa mais sustentável é aquela que já existe, econômica, ao se poder oferecer peças a preços justos, e sociocultural, que se destaca com a importância do reuso, do reaproveitamento e do upcycling.”
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| Foto: Lana Guimarães |
A La Sacuelita é um projeto construído aos poucos e a sintonia entre as
sócias foi determinante em face às restrições impostas pela pandemia. De mãos
dadas, impulsionaram as vendas on-line e, mesmo que timidamente, conseguiram
crescer. “Comemorar dois anos com essa pandemia no meio é uma vitória!”,
celebram Mariana e Lana.
Tudo começou com uma arara de vestidos, em seguida, criaram o “Mari e
Lana botando banca!”, com desapegos [roupas e objetos], das duas. Pouco tempo
depois, já como La Sacuelita, passaram a ocupar um bom espaço do subsolo do
Mercado Cobogó. “E, passito a passito, vamos
lapidando melhor nossa identidade e sendo reconhecidas por isso”, orgulha-se
Lana.
Mensalmente, La Sacuelita sobe as escadas do Cobogó para ocupar a área
externa do Mercado, quando ocorrem os encontros temáticos de Brechós. A próxima
edição, de número quatro, será neste sábado, dia 23, sob o tema “A Vida é Uma
Festa!”. O evento tem espírito colaborativo e reúne em média dez brechós do DF.
Este encontro motivou doações (ainda antes da pandemia) e, para essa
edição, “vamos arrecadar absorventes para mulheres em situação de
vulnerabilidade social”, avisa Lana. A instituição parceira que receberá e
distribuirá os absorventes é a Rede Solidária Entre Nós.
La Sacuelita habla portunhol, porque está em sua
essência aproximar-se da cultura latina, e se autointitula o brechó mais
‘chévere’ da cidade. Chévere, palavra Castelhana usada em diversos
países “hermanos”, corresponde ao nosso “massa”, mas também significa
“enfeitar-se ricamente”. De acordo com o escritor e
etnomusicólogo cubano Fernando Ortiz, essa palavra
pode ter vindo do dialeto africano Calabar que significa “adornar-se
profusamente”.
Onde fica, quando ir e contatos;
La Sacuelita;
SCRN 704/5 Norte, Bloco E, Loja 51;
No subsolo do Mercado Cobogó;
De segunda a sábado, das 10h às 20h;
Contatos: @la.sacuelita, no
Instagram, ou 6174012626, via WhatsApp.


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