Provas equestres impulsionam mercado nacional e reforçam debate sobre performance, ética e responsabilidade

 

O exame antidoping nessas modalidades é um pilar essencial para o esporte


O Brasil vive um momento de forte expansão das provas equestres, especialmente nas modalidades de Três Tambores e Seis Balizas, com protagonismo dos cavalos da raça Quarto de Milha. O crescimento do esporte movimenta milhões de reais anualmente, gera empregos diretos e indiretos e fortalece uma cadeia produtiva que envolve criadores, treinadores, médicos-veterinários, ferradores, transportadores, organizadores de eventos e a indústria de nutrição e saúde animal.

Mais do que competições esportivas, essas provas consolidaram-se como um segmento relevante do agronegócio nacional, com eventos cada vez mais profissionalizados, alto nível técnico e crescente visibilidade midiática.

As modalidades de Três Tambores e Seis Balizas são marcadas por provas curtas e extremamente intensas, nas quais frações de segundo definem resultados. Para alcançar alto desempenho, o cavalo precisa reunir explosão muscular, coordenação motora, resistência física e equilíbrio emocional. Trata-se de uma exigência fisiológica elevada, que torna indispensável o manejo correto, o treinamento progressivo e o acompanhamento veterinário contínuo.

Segundo o médico-veterinário Leonardo Gavioli Garbois, o desempenho em pista deve ser reflexo de preparo físico, genética e bem-estar — e não de intervenções farmacológicas indevidas. 

“O crescimento do esporte traz consigo uma responsabilidade ética ainda maior. Performance não pode ser construída à custa da saúde do animal”, afirma.

Nesse contexto, o controle antidoping ocupa papel central nas provas equestres. Mais do que coibir fraudes, o exame antidoping é uma ferramenta fundamental de proteção ao bem-estar animal, evitando que cavalos compitam sob efeito de substâncias capazes de mascarar dor ou inflamação, alterar comportamento, modificar respostas neuromusculares ou aumentar artificialmente o desempenho.

Nas principais competições oficiais, o controle é realizado de forma aleatória ou direcionada, geralmente em animais melhor classificados ou por sorteio. As amostras coletadas — sangue e/ou urina — são encaminhadas a laboratórios credenciados, onde passam por análises rigorosas para identificação de substâncias proibidas ou acima dos limites permitidos pelos regulamentos das entidades organizadoras.

O veterinário Leonardo ressalta que a responsabilidade por um eventual resultado positivo não recai apenas sobre o competidor. Proprietários, treinadores, médicos-veterinários e toda a equipe de manejo compartilham essa responsabilidade. 

“O uso inadequado de medicamentos, o desrespeito aos períodos de carência e até a contaminação cruzada podem gerar penalidades severas e comprometer a carreira esportiva do animal”, explica.

As punições previstas incluem desclassificação, perda de títulos, suspensão de competidores, multas e, em casos mais graves, sanções administrativas prolongadas. Além do impacto esportivo, um caso de doping compromete a credibilidade profissional e o valor zootécnico do plantel envolvido.

Para o especialista, o fortalecimento do controle antidoping é um sinal claro da maturidade do esporte equestre brasileiro. “Quanto mais transparente, técnico e ético for o ambiente das competições, maior será a valorização dos atletas, dos animais e do mercado como um todo”, pontua Leonardo.

As provas de Três Tambores e Seis Balizas representam hoje muito mais do que competição: são motor econômico, espetáculo esportivo e compromisso com a saúde animal. “O antidoping não é um obstáculo ao desempenho — é um pilar essencial para um esporte justo, seguro e sustentável”, finaliza o veterinário.

 

Por Dr. Leonardo Gavioli Garbois
Médico-veterinário – CRMV-MG 13122


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