Ópera "Venus and Adonis" circula pelo DF com entrada franca

 

Foto: Divulgação

Montagem do Conosco Coletivo de Criadores traz à cena antiga ópera inglesa, com direção de grandes nomes das artes e uma reflexão política e feminista de mais de 300 anos

 

 

Brasília recebe um feito para a música erudita: a circulação da ópera barroca Venus and Adonis, de John Blow (1682), em montagem completamente encenada. O projeto é uma realização do Conosco Coletivo de Criadores e ocupará os palcos do Sesc Taguatinga (Teatro Paulo Autran) e do Sesc Gama (Teatro Paulo Gracindo) entre os dias 21 e 29 de março, com entrada gratuita para todos os espetáculos.

 

Considerada pelo dicionário Grove de Música como o mais antigo exemplo conhecido de ópera inglesa, Venus and Adonis antecede até mesmo a célebre Dido and Aeneas de Henry Purcell. No entanto, o que torna a obra disruptiva para o seu tempo é seu conteúdo subversivo. Longe de ser uma mera celebração da realeza, a peça funciona como uma crítica política velada ao rei Charles II. Com o subtítulo "A Masque for the Entertainment of a King" (Um interlúdio para entretenimento de um rei), a ópera utiliza a mitologia e a alegoria da "caça" para satirizar os costumes da corte e as aventuras amorosas do monarca.

 

O aspecto revolucionário da obra se estende ao seu libreto, hoje atribuído à poeta Anne Kingsmill. Em uma época em que a mulher tinha pouca ou nenhuma agência na sociedade e nas artes, Kingsmill entrega uma narrativa onde Vênus, uma figura feminina, é a força motriz de toda a tragédia. A obra subverte o mito original: na versão de Blow, não é o ímpeto masculino de Adônis, mas sim as artimanhas e a complexidade de Vênus que conduzem o destino dos amantes. Trata-se de uma das primeiras vozes do feminismo nos palcos da ópera, retratando a mulher como uma figura poderosa, multifacetada e capaz de conduzir a História.

 

O formato e a montagem

 

Venus and Adonis é classificada como um masque, uma forma de "semi-ópera" típica da Inglaterra. Diferente da ópera tradicional, a música não serve apenas para conduzir a narrativa linear, mas surge como interlúdio, criando uma estrutura de descontinuidade que se mostra extremamente moderna para o espectador de hoje. Essa característica permite à direção criar estratégias cênicas inovadoras, que mantêm o interesse do público por meio de imagens e metáforas.

 

Para esta montagem em Brasília, o Conosco Coletivo de Criadores—formado por Cecília Aprigliano, André Vidal e Mônica Monteiro—reuniu um time de peso. A direção musical é assinada por Cecília Aprigliano e André Vidal, que também atuarão como instrumentistas, enquanto a regência fica a cargo de David Castelo. A concepção moderna da obra, que mescla a música renascentista com o olhar do homem do século XXI, fica por conta da direção artística do premiado artista plástico Gê Orthof, responsável pela concepção plástica e cenário, e da direção cênica da coreógrafa e bailarina Giselle Rodrigues. A concepção do figurino ficou a cargo de Nina Monteiro, quanto Monica Monteiro assume a coordenação geral.

 

O elenco de solistas é composto por:

·                     Joyce Moreira (soprano) como Vênus

·                     Gustavo Freccia (barítono) como Adônis

·                     Isabel Quintela (soprano) como Cupido

 

Completam a montagem um corpo estável de 16 músicos especializados em música antiga (com instrumentos como flautas doces, violas da gamba, cravo e teorba), um coro de oito vozes e uma equipe técnica de 17 profissionais, todos com larga experiência em suas áreas, em sua maioria do Distrito Federal.

 

Programação:

Sesc Taguatinga Norte (Teatro Paulo Autran)

·                     21/3 (sábado): recital, às 20h

·                     22/3 (domingo): recital, às 19h

Endereço CNB 12 Área Especial 2/3 - Taguatinga

Sesc Gama (Teatro Paulo Gracindo)

·                     27/3 (sexta): sessão para Escolas, às 15h30, com audiodescrição

·                     28/3 (sábado): recital, às20h

·                     29/3 (domingo): recital, às19h

Endereço: Setor Leste Industrial, Lotes 620, 640, 660 e 680, Gama

 

Entrada franca, sem a necessidade de retirada de ingresso

Duração: 60 min

Classificação indicativa: livre para todos os públicos

Acessibilidade: as sessões serão legendadas e a sessão do dia 27/3 contará com audiodescrição

Sobre o Conosco Coletivo de Criadores
Idealizado por Cecília Aprigliano, André Vidal e Mônica Monteiro, o coletivo tem como missão fomentar a produção musical e cênica no Distrito Federal, promovendo o encontro entre a música de câmara e outras linguagens artísticas.

 

 

 

 


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