Mostra Todd Haynes chega ao CCBB Brasília com retrospectiva completa do influente cineasta estadunidense
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| Foto: Divulgação |
Todas as sessões têm entrada gratuita e a extensa programação paralela inclui debates,
sessões apresentadas, sessões comentadas e um curso
Natalie Portman e Julianne Moore em
“Segredos de um escândalo” (Divulgação)
De 3 a 22 de março, o CCBB Brasília recebe
a Mostra Todd Haynes, retrospectiva dedicada a um dos cineastas
mais badalados e instigantes do cinema contemporâneo. Após passagens de grande
sucesso de público pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, a mostra desembarca na
capital federal reunindo 23 filmes,
sendo 13 desses dirigidos
por Haynes e 10 obras de outros realizadores em diálogo direto com sua
filmografia, além de mesas de debate, sessões apresentadas, sessões
comentadas, curso, ações de
acessibilidade e o lançamento de um catálogo inédito. A programação é ampla e completamente gratuita.
Com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo,
e idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon, a
retrospectiva propõe um mergulho abrangente na obra de Todd Haynes, cineasta
associado ao New Queer Cinema dos anos 1990 e reconhecido por reinventar o
melodrama clássico para discutir identidade, desejo, gênero, sexualidade e as
fissuras por trás das fachadas da vida cotidiana.
A programação inclui títulos fundamentais
como Longe do paraíso, Carol, Velvet Goldmine, Não
estou lá, Mal do século, Segredos de um escândalo e The
Velvet Underground, além de cópias restauradas e obras inéditas no Brasil.
A mostra também destaca atuações marcantes de Julianne Moore, Cate Blanchett,
Rooney Mara e Natalie Portman, atrizes centrais na construção do universo
sensível e político do cineasta.
Ao lado da filmografia de Haynes, a mostra
apresenta filmes de outros realizadores, escolhidos por sua relevância
histórica, estética e política, revelando diferentes tradições cinematográficas. Entre os
títulos estão Jeanne Dielman (1975), de Chantal Akerman; O medo devora a alma (1974), de Rainer Werner Fassbinder; Tudo que
o céu permite (1955), de Douglas Sirk; Uma mulher sob
influência (1974), de John Cassavetes; Desencanto (1945),
de David Lean; Canção de amor (1950), de Jean Genet; além de
obras de Leslie Thornton, Sadie Benning, Daniel Nolasco e Fábio Ramalho.
“Ao colocar esses filmes em relação, a mostra propõe pensar o cinema como um
campo de atravessamentos, de linguagem, de política e de sensibilidade. Mais do
que influências diretas, o que emerge é uma constelação de obras que ajudam a
entender como certas formas de ver e sentir o mundo foram se construindo ao
longo do tempo”, afirma Camila Macedo.
Outro eixo central da curadoria é a investigação
do melodrama — frequentemente associado de forma equivocada a um estatuto
artístico menor — como potência crítica e estética. “É interessante pensar que,
apesar da popularidade no Brasil, a telenovela e as abordagens melodramáticas
ainda carregam certo preconceito. Discutir os usos e reinvenções do melodrama a
partir de um cineasta da envergadura de Haynes torce esses enquadramentos e nos
permite pensar uma sensibilidade que escapa a dicotomias simplistas entre afeto
e pensamento”, destaca Carol Almeida.
A Mostra também chama atenção para a colaboração
recorrente entre Todd Haynes e o montador brasileiro Affonso Gonçalves, figura
central do cinema independente estadunidense. Gonçalves assinou a montagem de filmes fundamentais do
diretor, como Carol (2015), The Velvet Underground (2021)
e Segredos de um escândalo (2023), contribuindo decisivamente
para o ritmo, a delicadeza e a construção emocional dessas obras.
Programação formativa e encontros com o público
A proposta da Mostra Todd Haynes se estende para
além das sessões de cinema, com uma programação paralela que inclui duas mesas
de debate sobre temas relacionados à
filmografia do homenageado, seis sessões
comentadas ao final, duas sessões
apresentadas no início e um curso de dois
dias, reunindo, neste conjunto de
atividades, diferentes convidados, entre pesquisadores, críticos e realizadores, com
o objetivo de aprofundar reflexões
sobre cinema, linguagem, melodrama, representação feminina e cinema queer, em
diálogo com o presente.
A mesa “Donas de casa encarceradas nas
estratégias melodramáticas de Todd Haynes” acontece no dia 14 de março
(sábado), às 17h, e discute a recorrência e as reinvenções das figuras
femininas e da domesticidade na obra do cineasta. Participam as
pesquisadoras Emília Silberstein e Lila Foster, com mediação de Carol
Almeida. A atividade contará com tradução em Libras.
Já a mesa “O legado de Todd Haynes para os
novíssimos cinemas queer”, no dia 21 de março (sábado), às 17h, propõe refletir
sobre as reverberações de sua obra em uma nova geração de cineastas e práticas
contemporâneas, com Mike Peixoto e Marisa Arraes, além
da mediação de Camila Macedo, contando também com
intérprete de Libras.
“A ideia dessas atividades é criar um espaço de
escuta e de troca, em que a obra de Haynes possa ser pensada não como um
monumento, mas como um cinema vivo, em diálogo com questões urgentes do
presente e com outras formas de fazer e pensar o audiovisual”, afirma Carol
Almeida.
As sessões apresentadas
e comentadas ampliam esse contato direto
com o público, propondo conversas mais intimistas antes e após as exibições,
respectivamente. Entre os destaques estão a sessão de abertura, do filme Não
estou lá, apresentada por Mariana Souto (3 de março, às 18h30); Carol, apresentada
por Ana Caroline Brito (5 de março, às 19h); Velvet Goldmine (7
de março, às 18h15) e Mal do século (8 de março, às 18h), com
comentários de integrantes do Cinebeijoca (Cineclube
da UnB); além de sessões comentadas por
Carol Almeida, Camila Macedo, Marcus Azevedo e Letícia Bispo ao longo da programação.
A proposta formativa inclui ainda o curso “Uma
leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes”,
ministrado por Alessandra Brandão e Ramayana Lira de Sousa, em dois encontros,
nos dias 14 e 15 de março. A partir de um dos filmes mais emblemáticos do
cineasta, o curso investiga os códigos do cinema hollywoodiano e os processos
de visibilidade e apagamento lésbico na história do cinema narrativo, articulando
crítica feminista e cinema contemporâneo. Para
participar do curso, basta retirar o ingresso gratuitamente na bilheteria
física, uma hora antes do início de cada aula.
Catálogo com textos inéditos
A Mostra Todd Haynes é acompanhada pelo
lançamento de um catálogo inédito, disponível em versões impressa e digital
(disponível para download no link https://ccbb.com.br/
“Todos os textos do catálogo são inéditos. A
publicação funciona como uma extensão da mostra e como uma ferramenta de
reflexão duradoura sobre a obra de Haynes e suas reverberações”, afirma Camila
Macedo. Exemplares impressos serão distribuídos ao público gratuitamente mediante a apresentação de ingressos de
sessões.
“Ainda que o cinema de Todd Haynes atravesse
preocupações estéticas muito distintas ao longo do tempo, existe algo que
percorre toda a sua obra: uma crítica sofisticada às máscaras sociais. São
filmes atentos às superfícies e ao que insiste em se revelar por trás delas”,
conclui Carol Almeida.
Comprometida com a ampliação do acesso, a
Mostra Todd Haynes contará com sessão acessível de Carol,
com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras, exibição que conta com cópia dublada em português. As mesas de debate também terão tradução simultânea em
Libras.
FICHA TÉCNICA
Curadoria: Carol Almeida e Camila Macedo
Idealização, coordenação geral e produção
executiva: Hans Spelzon
Empresa produtora: Caprisciana Produções
Apoio Institucional: Instituto Goethe
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e
Governo do Brasil
Patrocínio: Banco do Brasil
CONVIDADOS
Mariana Souto
Ana Caroline Brito
Cinebeijoca
Marcus Azevedo
Lila Foster
Emília Silberstein
Ramayana Lira de Sousa
Alessandra Brandão
Letícia Bispo
Mike Peixoto
Marisa Arraes
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB
Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Localizado no Edifício
Tancredo Neves, o prédio é uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer e tem o
objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade
possíveis.
Com projeto paisagístico de autoria de Alda Rabello
Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de
cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows,
espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, é oferecido o Programa Educativo CCBB
Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e
culturais, aproximando o visitante da programação em cartaz, acolhendo o
público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolha públicas e
particulares, universitários e instruções, por meio de visitas mediadas
agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do
Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual
ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a
sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o
público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A
iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência
cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da
Biblioteca Nacional.
O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no
site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o
ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de
ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode
ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no
interior do veículo. Mais informações em: Serviços Oferecidos | CCBB Brasília
Horário da van – De quinta-feira a domingo: Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h,
15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h | CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30,
14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
SERVIÇO
Mostra Todd Haynes
Curadoria: Carol Almeida e Camila Macedo
Produção: Caprisciana Produções
Data: De 3 a 22 de março
Local: CCBB Brasília
Endereço: Asa Sul Trecho 2 - Asa Sul, Brasília – DF
Tel: (61) 3108-7600
Website: https://ccbb.com.br/
Instagram: @ccbbbrasilia
Ingressos: Entrada
gratuita. Retirada dos ingressos 1h antes, presencialmente, na bilheteria do
CCBB Brasília.
Classificação: ver
programação
Horários: Ver programação.
Assessoria de Imprensa do Projeto:
Panorama Assessoria
Ulisses de Freitas
(61) 98126-6445
Assessoria de Comunicação do CCBB Brasília:
Jamerson de Sousa Costa
(61) 3108-7600 | (61) 98147-3594
PROGRAMAÇÃO COMPLETA POR DIA:
03 de março 2026 (terça-feira)
18h30 - Sessão apresentada (Mariana Souto) +
Não
estou lá (I'm
not there, Todd Haynes, 2007, 135 minutos, EUA / ALE, digital) - 12 anos
04
de março 2026 (quarta-feira)
16h30 - Sem fôlego (Wonderstruck, Todd Haynes, 2017, 116 minutos, EUA, digital) - 10 anos
19h00 - Segredos de um escândalo (May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA, digital) - 16 anos
05
de março 2026 (quinta-feira)
16h30 - O preço da verdade (Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA, digital) - 12 anos
19h00 - Sessão apresentada (Ana Caroline
Brito) + Carol (Carol, Todd Haynes, 2015, 118 minutos,
EUA / GBR, digital) - 14 anos
06
de março 2026 (sexta-feira)
17h30 - Tudo que o céu permite (All that heaven allows, Douglas Sirk, 1955, 89 minutos, EUA, digital) -
16 anos
19h15 - Longe do paraíso (Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA, digital) - 14 anos
07
de março 2026 (sábado)
16h00 - The Velvet Underground (The Velvet Underground, Todd Haynes, 2021, 121 minutos, EUA, digital) -
16 anos
18h15 - Velvet Goldmine (Velvet Goldmine, Todd Haynes, 1998, 123 minutos, GBR / EUA, digital) + Sessão comentada (Parceria
Cinebeijoca) - 18 anos
08
de março 2026 (domingo)
15h15 - Uma mulher sob influência (A woman under the influence, John Cassavetes, 1974, 146 minutos, EUA,
digital) - 16 anos
18h00 - Mal do século (Safe,
Todd Haynes, 1995, 119 minutos, EUA / GBR, digital) + Sessão comentada (Parceria Cinebeijoca) - 14
anos
10
de março 2026 (terça-feira)
17h00 - Jeanne Dielman (Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080
Bruxelles, Chantal
Akerman, 1975, 201 minutos, BEL / FRA, digital) - 16 anos
11
de março 2026 (quarta-feira)
18h30 - Canção de amor (Un chant d’amour, Jean Genet, 1950, 26 minutos, FRA, digital) + Veneno (Poison,
Todd Haynes, 1991, 85 minutos, EUA, digital) + Sessão comentada
(Marcus Azevedo) - 18 anos
12
de março 2026 (quinta-feira)
17h30 - Desencanto (Brief encounter, David Lean, 1945, 86 minutos, GBR, digital) - 14 anos
19h15 - Carol (Carol,
Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR, digital) - 14 anos
13
de março 2026 (sexta-feira)
19h00 - O suicídio (The suicide, Todd Haynes, 1978, 22 minutos, EUA, digital) + Assassinos: um filme sobre Rimbaud (Assassins:
a film concerning Rimbaud, Todd
Haynes, 1985, 43 minutos, EUA, digital) + Peggy e Fred no inferno: o prólogo (Peggy and Fred in
hell: the prologue, Leslie Thornton, 1984, 20 minutos, EUA,
digital) + Sessão comentada (Carol Almeida) - 16 anos
14 de março 2026 (sábado)
10h00 - Curso "Uma leitura
da in/visibilidade lésbica a partir de 'Carol', de Todd Haynes" - 16 anos
17h00 - Debate 1: Donas de casa
encarceradas nas estratégias melodramáticas de Todd Haynes, com Emilia
Silberstein, Lila Foster e mediação de Carol Almeida (com LIBRAS) - 16 anos
19h00 - Segredos de um escândalo (May December, Todd Haynes, 2023, 117 minutos, EUA, digital) - 16 anos
15
de março 2026 (domingo)
10h00 - Curso "Uma leitura
da in/visibilidade lésbica a partir de 'Carol', de Todd Haynes" - 16 anos
16h00 - O medo devora a alma (Angst essen Seele auf, Rainer Werner Fassbinder, 1974, 93 minutos, ALE,
digital) - 16 anos
18h00 - Longe do paraíso (Far from heaven, Todd Haynes, 2002, 107 minutos, EUA / FRA, digital) + Sessão
comentada (Letícia Bispo) - 14 anos
17
de março 2026 (terça-feira)
18h30 - Sessão com acessibilidade
- Carol
(Carol,
Todd Haynes, 2015, 118 minutos, EUA / GBR, digital) + Conversa com a curadoria - 14 anos
18
de março 2026 (quarta-feira)
19h00 - O preço da verdade (Dark waters, Todd Haynes, 2019, 126 minutos, EUA, digital) - 12 anos
19
de março 2026 (quinta-feira)
17h00 - Jollies (Jollies

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