Com apresentação do Ministério da Cultura e da Brasal, o Circuito de Teatro Brasileiro traz a Brasília

  

Foto: Nana Moraes

 

Julia Lemmertz e Orã Figueiredo em Alta Sociedade, uma comédia de Mauro Rasi com montagem com direção de Emilio de Mello e produção geral de Edgard Jordão, nos dias 17 e 18 de outubro, no Teatro Unip

 

Carros luxuosos, jatinhos, obras de arte, apartamento com vista para o mar. Banquetes regados a desvios de verbas, sonegação fiscal, negociatas e tráfico de influência com políticos. Ficção ou realidade? As situações e personagens descritos em ‘Alta Sociedade’ estarão no palco, mas poderiam ser destaque no noticiário.

 

Um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, Mauro Rasi escreveu essa comédia em 2000. Quase trinta anos depois, nota-se o mesmo padrão entre certos círculos de uma falsa elite de políticos e banqueiros. Julia Lemmertz e Orã Figueiredo se reúnem em cena para mostrar, com muito deboche que, como dizia Cazuza, “a burguesia fede”.

 

Em cena, Sylvia e Leopoldo, dois milionários falidos residentes do Chopin –edifício icônico da orla de Copacabana, no Rio, estão tentando fugir do país para escapar da Polícia Federal em plena noite de réveillon. Por retratar muitos personagens da época, o original ganhou uma atualização de Amanda Jordão.

 

“O texto permanece surpreendentemente atual — talvez até mais pertinente hoje do que quando foi escrito. As situações continuam as mesmas, mudaram apenas os nomes dos personagens da vida real”, explica Emilio de Mello. “Foi justamente aí que concentrei nosso principal trabalho de adaptação: atualizar essas referências sem perder a essência, o humor e a acidez tão característicos da escrita de Mauro Rasi”, acrescenta o diretor.

 

Personagens que andam estampando as manchetes como o banqueiro Daniel Vorcaro e vários políticos da atualidade são citados em cena, em uma comédia rasgada e extremamente crítica, que expõe a corrupção que está entranhada na sociedade brasileira. “A peça revela, entre outras coisas, o Brasil das falcatruas, sob o olhar privilegiado de uma elite que também precisa acertar suas contas”, pondera Julia. “Esse texto retrata uma elite corrupta e apenas preocupada em manter os privilégios”, acrescenta Orã.

 

Emilio de Mello enaltece não apenas a qualidade do texto de Mauro Rasi, mas sua capacidade de radiografar uma casta específica da sociedade. “Além de dramaturgo, Mauro foi um cronista incansável e um observador arguto, que retratava com humor e inteligência os costumes do nosso tempo e da nossa sociedade. Durante anos, escreveu com enorme sucesso em O Globo, e muitas dessas crônicas serviram de inspiração para suas peças. Acredito que ‘Alta Sociedade’ seja um dos melhores frutos desse período”.

 

Julia Lemmertz e Orã Figueiredo não escondem seu entusiasmo. “Fazer uma peça do Rasi é uma alegria, ainda mais com Emilio de Melo dirigindo e com Orã Figueiredo em cena, potencializa tudo, a diversão e a excelência”, vibra Julia. “A carpintaria do Mauro é ótima, cheia de humor e ironia. A peça é um retrato crítico de parte da elite brasileira e permanece bem atual no Brasil de 2026”, acrescenta Orã.

 

Julia, Emilio e Orã são parceiros de longa data e se reuniram especialmente para celebrar a obra de Mauro Rasi, um dramaturgo que deve ser cada vez mais reverenciado e montado nos palcos, para que sua obra permaneça sempre viva e pulsante, como ele merece.

 

Mauro Rasi

 

Mauro Rasi foi um dos mais importantes dramaturgos brasileiros das décadas de 1980 e 1990. Considerado um dos precursores do teatro besteirol, renovou a comédia nacional ao combinar humor ágil, ironia e crítica aos costumes da classe média brasileira. Ao mesmo tempo, deu um tom profundamente autobiográfico à sua obra, transformando histórias de sua própria família em peças marcantes como ‘A Estrela do Lar’, ‘Viagem a Forli’, ‘A cerimônia do adeus’ e ‘Pérola’, espetáculo que percorreu o Brasil por anos, com grande sucesso, além de gerar um filme homônimo. Rasi escreveu também comédias rasgadas como ‘A dama do cerrado’, ‘Batalha de arroz num ringue para dois’, ‘Tupã, a vingança’ e ‘A mente capta’. Sua dramaturgia influenciou gerações de autores e permanece como referência pela capacidade de equilibrar comicidade, emoção e observação da sociedade brasileira.

  

Serviço

[Comédia] Alta Sociedade

Local: Teatro UNIP

Endereço: SGAS 913 - Asa Sul

Temporada: dias 17 e 18 de outubro

Horários: sábado, às 18h e às 20h, e domingo, às 17h e às 19h.

Não será permitida a entrada após o início do espetáculo

Ingressos: a partir de R$ 25 (meia)

Bilheteria: https://bileto.sympla.com.br/ e física, sem taxas, na Belini (113 Sul)

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: 10 anos

  

 


 

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