Instalação imersiva convida o visitante a entrar em um coração gigante e viver uma experiência única na arte contemporânea  

 

Foto: Divulgação
   

Exposição de Eny Junia transforma escultura em espaço de interação, tecnologia, música e reflexão sobre a vida


Entrar em uma grande escultura – em formato de coração humano – e ouvir batimentos cardíacos. Essa é a experiência proposta pela artista visual Eny Junia na instalação Coração, obra inédita que será apresentada ao público em uma exposição cuja abertura reunirá performances musicais, intervenções artísticas e participação ativa dos visitantes.

 

Com uma altura de 2,2 metros, a escultura foi concebida para acolher uma pessoa em seu interior, rompendo a distância tradicional entre obra e espectador. Mais do que observar, o visitante passa a integrar a instalação, tornando-se parte da experiência artística.

 

A obra combina escultura, tecnologia e interatividade para provocar uma reflexão sobre a vida, o cuidado consigo mesmo e a importância das relações humanas em um tempo marcado pela velocidade, pela superficialidade e pelo excesso de estímulos.

 

Construída em estrutura metálica e revestida com papel machê produzido a partir de cerca de 380 quilos de jornais reciclados, Coração nasceu de uma experiência pessoal vivida por Eny Junia. Após enfrentar um período de intenso estresse, a artista recebeu de seu médico uma pergunta que permaneceu ecoando durante anos: "Você não tem dó do seu coração?" seguida da prescrição: “Você precisa aprender a cuidar dele”. A partir dessa inquietação, iniciou um processo criativo que acabou se tornando também um percurso de transformação interior.

 

Durante toda a execução da obra, Eny contou com a orientação do artista Lourenço de Bem, responsável por acompanhar tecnicamente o projeto e por compartilhar os conhecimentos necessários para a construção da escultura em grande escala. "A obra foi crescendo ao mesmo tempo em que eu compreendia melhor o significado de cuidar da vida e das relações humanas", resume a artista, que foi premiada com o 1° lugar no 45° Salão de Artes Riachuelo 2025, Marinha do Brasil, com a obra "Força interior".

 

 

Arte, tecnologia e participação

 

Além da dimensão da escultura, a instalação incorpora recursos tecnológicos desenvolvidos pelo artista multimídia Alexandre Rangel. Pulsações cardíacas, projeções luminosas que percorrem artérias e veias e uma ambientação sonora interativa transformam a estrutura em um organismo vivo, ampliando a imersão do público.

 

Dois momentos marcantes da experiência acontecem quando o visitante está dentro do Coração e quando pode escutar batimentos cardíacos como se estivesse no interior de um corpo vivo.

 

As crianças também terão participação especial. A instalação apresenta elementos lúdicos que simulam o percurso do sangue pelas artérias por meio de bolinhas coloridas, além de oficinas de papel machê e atividades de mediação durante a exposição.

 

 

Abertura reúne música, inclusão e celebração coletiva

 

A inauguração da exposição foi concebida como uma grande experiência participativa, reunindo diferentes linguagens artísticas em torno do tema central da obra. Entre os destaques está a apresentação dos Batucadeiros, grupo formado por crianças que interpretará a composição inédita O Som do Coração em interação com o público.

 

A programação contará ainda com apresentação do Coral do Senado, leitura de uma crônica sobre Brasília por uma filha de pioneira da capital e uma interpretação coletiva da canção Carinhoso, de Pixinguinha e Braguinha, sob regência do maestro Eldom Soares.

 

 

Ao longo da temporada, a exposição também oferecerá oficinas de papel machê, contação de histórias para crianças e palestra com cardiologista voltada ao público acima de 60 anos.

 

Ao reunir escultura, tecnologia, música, educação e participação, Coração propõe uma experiência sensível que ultrapassa os limites da contemplação artística. A instalação transforma o visitante em protagonista de uma reflexão sobre aquilo que pulsa dentro de cada pessoa e sobre a responsabilidade coletiva de preservar o que nos torna essencialmente humanos.

 

 

SERVIÇO

Exposição: Coração – Eny Junia

Abertura: 3 de setembro de 2026

Local: Anexo do Museu da República

Visitação: de 3/9/26 a 1/11/26, de terça a domingo, das 9h às 18h30

Entrada: franca

Informações: @exposicaocoracao


 

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